Cinco erros no retrato de estúdio e como os evitar
Poses forçadas, silêncio a mais e pressa na primeira imagem: os deslizes que mais vejo nas sessões de retrato em estúdio, e pequenos gestos para os corrigir.
1. Começar a disparar sem conversar
O erro mais comum, e aquele que eu própria cometi durante anos, é montar tudo, ligar os flashes e começar a disparar enquanto a pessoa ainda está a perceber onde pôr as mãos. Quem chega a um estúdio costuma vir nervoso: a sala é grande, há luzes apontadas e uma câmara a olhar. Se o primeiro contacto for um "vire um pouco para a esquerda", a rigidez fica registada logo nas primeiras fotografias.
Hoje reservo uns minutos para falar antes de qualquer disparo. Pergunto como correu o dia, para que vão usar as fotografias, o que não gostam de ver nelas. Não é conversa de circunstância, serve para perceber quem tenho à frente e para a pessoa perceber que não está a ser avaliada. Muitas vezes, a melhor expressão da sessão aparece quando já deixámos de falar de fotografia.
- Explique o que vai fazer antes de o fazer
- Pergunte para que serve o retrato
- Mostre onde a pessoa pode olhar quando não olha para a lente
2. Dar direção em excesso
O contrário também acontece: o fotógrafo que corrige tudo ao mesmo tempo. Queixo para baixo, ombro para trás, mão no bolso, sorria, mas não tanto. Perante tantas instruções, a pessoa deixa de ser ela própria e passa a executar uma lista, e o resultado é uma pose de catálogo sem vida.
Procuro dar uma indicação de cada vez e esperar que ela assente antes de pedir a seguinte. Prefiro direções que descrevem uma sensação a direções que descrevem uma posição: em vez de pedir um ombro mais baixo, peço que solte o peso do corpo como se acabasse de se sentar. As pessoas reagem melhor a imagens mentais do que a ângulos, e o corpo acomoda-se sozinho.
- Uma instrução por vez
- Direções de sensação, não de geometria
- Mostre a pose com o seu próprio corpo quando for preciso
3. Esquecer as mãos e os braços
Quase toda a gente se concentra no rosto e esquece o resto do corpo, até ver o ecrã. As mãos aparecem apertadas, escondidas, a segurar o vazio, e os braços colados ao tronco fazem o retratado parecer menor do que é. Sendo o rosto o que mais atrai o olhar, qualquer tensão nas mãos distrai de forma subtil, mas persistente.
Dou sempre algo concreto para fazer: apoiar uma mão no encosto de uma cadeira, segurar os óculos, cruzar os braços de forma folgada. Se nada disto resulta, enquadro mais fechado e as mãos saem do plano. O importante é olhar para a imagem inteira antes de disparar, dos pés ao topo da cabeça, e não apenas para o ponto onde a focagem está.
- Dê às mãos uma tarefa simples
- Deixe espaço entre os braços e o tronco
- Se as mãos incomodam, mude o enquadramento
4. Mostrar o ecrã demasiado cedo ou nunca
Há fotógrafos que nunca mostram nada durante a sessão e deixam o retratado a adivinhar se está a correr bem; outros mostram tudo e a pessoa passa a ver-se em cada pormenor, ficando ainda mais consciente. Nenhum dos extremos ajuda. Sem retorno, a insegurança cresce. Com demasiado retorno, a pessoa começa a dirigir-se a si própria.
A minha prática é mostrar uma ou duas imagens depois dos primeiros minutos, escolhidas por estarem boas. Serve para criar confiança, não para discutir cortes. Se alguém disser que não gosta do nariz ou do cabelo, ouço, tomo nota mentalmente e continuo, sem entrar numa conversa sobre defeitos. Depois dessa pausa, a sessão costuma ganhar um ritmo mais solto, porque a pessoa percebeu que está em boas mãos.
- Mostre uma boa imagem cedo, para dar confiança
- Evite rever dezenas de fotografias a meio da sessão
5. Ter pressa de chegar à imagem final
O quinto erro é a pressa. Nas primeiras fotografias o rosto ainda está a adaptar-se à luz, ao espaço e à sua própria imagem. Quem interrompe a sessão ao fim de vinte disparos, convencido de que já tem o essencial, perde muitas vezes o momento em que a pessoa finalmente relaxa. É uma sensação conhecida: a melhor fotografia raramente é a segunda.
Aprendi a deixar a sessão respirar. Faço pausas curtas, mudo de enquadramento sem mudar a luz, peço que ande um pouco, que olhe para outro lado e volte. Estes intervalos aparentemente vazios são onde aparecem as expressões mais verdadeiras. Em início de outono, com dias mais curtos e pessoas mais cansadas, esta paciência pesa ainda mais.
6. Não rever o que correu mal depois
O último erro acontece fora do estúdio: guardar as fotografias e passar à sessão seguinte sem perguntar o que podia ter corrido melhor. Os mesmos deslizes repetem-se porque ninguém os nomeou. Eu faço uma pequena nota no fim de cada sessão: onde a pessoa ficou tensa, que frase a descontraiu, que instrução soou mal.
Ao fim de algumas semanas, esse caderno mostra padrões que não se veem sessão a sessão. Descobri, por exemplo, que perco o ritmo sempre que mexo no equipamento com a pessoa já posicionada. Agora preparo tudo antes de ela chegar. É um hábito pequeno, sem custo nenhum, e melhora o retrato mais do que qualquer acessório novo.
- Escreva três linhas no fim de cada sessão
- Procure o que se repete, não o que foi único
Nenhum destes erros é grave, e todos se corrigem com atenção e algum tempo. Quase todos nascem do mesmo sítio: tratar o retrato como um problema técnico quando é, antes de mais, um encontro entre duas pessoas. Conversar, dar pouca direção, cuidar das mãos, mostrar com medida e não ter pressa. O resto, a luz e a câmara, tem o seu lugar, mas só funciona bem quando a pessoa à frente da lente se sente à vontade.